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riscos_e_rabiscos

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Eu Me Confesso!

 

Quem me lê habitualmente, já sabe que eu dou aulas no “convento”. Gosto muito de lá estar, embora algumas hipocrisias me façam uma espécie de prurido. Mas eu até ignoro e sigo a minha conduta.

 

Uma vez que estamos no mês de Maria, e com a aproximação do 13 de Maio, não poderia deixar de haver uma missa em Fátima. Bom… não foi só missa… mas adiante!

 

Desta vez foi o nosso “convento” que teve a incumbência de fazer as cantorias da missa e de ir lá à frente mostrar que sabemos ler (que é como quem diz, fazer as leituras).

E agora adivinhem lá pra quem sobrou também? BINGO! Euzinha aqui! Eu, uma noviça… quer dizer, uma novata! E sobrou em dose dupla! Como se não chegasse o esganiçado do coro e os ensaios tipo relâmpago (tão rápidos, tão rápidos, que nem sequer demos por isso), sem que eu percebesse, “caiu-me” uma oração nas mãos para eu ler no púlpito. Ai, ai, ai…. E o pior é que não era nada pequena. E eu nunca tinha feito uma leitura daquelas….

 

Ler é o meu dia-a-dia, cantar também em quase todas as aulas e o meu público também é uma vasta plateia. Mas aqui a responsabilidade era muito maior e diferente. É que o meu público diário perdoa-me se eu cometer uma fífia, agora este… no mínimo apedreja-me!

 

Começámos a manhã com uma injecção, quer dizer, formação. A nossa sorte foi que o padre/formador era muito brejeiro a falar, e com uma actualidade de discurso que não nos deixou adormecer e nos fez rir muitas vezes. As “manas” é que não acharam grande piada a algumas coisas. Mas também elas são de uma espécie de “casta” (!) superior.

 

Seguiu-se o banquete almoçatório e depois fomos tomar café desmoer o farto banquete (cof!cof!) e gastar uns euros pelas “capelinhas”. Ir a Fátima e não trazer um recuerdo, é como ir ao cinema e não trazer uma camada de pulgas nas pernas (argh!).

 

Pois então, aqui a mana da casta inferior e as suas pares, pobrezinhas, lá foram passear pelo abençoado recinto, acender uma velinha e… espantem-se!... até tivemos um encontro com jesus! Ah pois, é! Íamos nós a deambular em direcção às nossas instalações, quando nos surge, por entre o campo de oliveiras, jesus. Claro que fomos logo cumprimentá-lo e dizer-lhe que um homem tão jeitoso como ele ficava mais bem parecido com umas vestes sem ser de sarrapilheira. Afinal os tempos são outros!

 

Regressámos à injecção, quer dizer, formação – parte II. Tomámos um garrafão do xarope do padre (private joke), saímos de lá grogues e ainda fomos empurradas para o salão do enfardamento onde tínhamos almoçado. Tínhamos chegado à altura da lancharada. Lá fomos nós, sob uma chuva torrencial, buscar as nossas “merendas” ao autocarro. Rapidamente as mesas se enfeitaram de bolos, bolinhos e bolecos, salgados, chouriços e presuntos. Haja estômago e apetite!

 

Fazia-se tarde e as manas superioras determinaram que era hora do recolhimento. Lá nos enfiámos no autocarro, todas contentes (iupiiiiii!!!), desejosas de regressar ao lar. Se à ida para Fátima fomos ensaiando as cantorias com alma e coração para sair tudo certinho (e saiu!) à vinda pra cá ainda cantámos com mais afinco e entusiasmo na esperança do autocarro andar mais depressa!